Sampacity
mulher sem dono, traída,
mulher doida, a ganir,
teu réu, teu filho inválido,
implora atrás de ti.
te excita o tapa na cara,
te excita o jeito de ferir,
do larápio que te leva
pra onde ele quer ir
e beija teu decote,
ó, nossa mãe gentil,
e passa a mão e cospe
no sexo que nos pariu
olha o teu corpo dolorido,
esgotado de “amor”,
teu gigolô vai sair
e levar o teu dinheiro - e fazer festa até cair
sublime decadência,
ó, doce perdição,
meu corpo, um bagaço,
um resto de aleijão
vestida de molambos,
ó, nossa mãe gentil,
de sexo bem aberto
e abraço febril
tantos vermes no teu grito,
no espelho, tua imagem:
cicatrizes e bicheiras,
corroendo a maquiagem
abre a cortina do passado
e revezam no teu leito
tantos senhores “honrados”:
ele dizem que te amam - enquanto roubam seus agrados.
mas te ofertas, acanhada,
passivo rosto, aos beijos meus,
me traio e lavo teu corpo,
misto de escarro e de adeus
das veias apodrecidas,
represas, sem conter,
verão nascer da gente
respostas do Tietê
—
L.C.Marinho
fique em silêncio ao ver
o gesto que transcende o homem,
que rasga fronteiras, limites,
sem proibições
não é oculto que esteja a dor
na flor, no rio, num doce lar,
mesmo sem os dedos, sua canção
aponta a liberdade que se quer ganhar
leva jeito de doença escondida
a voz alada decepada da vida;
geme escuro os escuros passos sãos
de um acorde que não dependeu das mãos
os nervos retesados que a gente leva
na bagagem, até parecem
ferida traçada em tanta gente
que foi ferida por querer a paz
e continua sua marcha
em noites indias retalhadas,
noites indias petrificadas
em gestos fotos, homens insanos
noites indias de quem viu estando lá
cantando a liberdade pra seus irmãos,
hoje, tão distante o seu gesto,
inda prova que não foi sem razão
leva jeito (…)
(L.C.Marinho)
—
Licenciado sob uma Licença Creative Commons 2.5 Brasil.
http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/
Quem é terrorista mesmo?
feito cicatriz o vento vira volta lá,
sons de voz ferida
-que machuca relembrar
a noite quieta e a mão e a faca fria
correndo atrás da voz
-que nunca mais sorriria
e era chibata, modo estranho de poesia,
a mão em figa
-que rumo ao céu se erguia
coisa como grito, xingo, passa pelo ar
e toda fera se agita e o povo dali do lugar,
reza forte um nome de santo, pra se resguardar
e a cachorrada latia, dentro de um quarto escuro
e minha ‘vó, ouvindo, erguia o terço
e rezava com a voz embaralhada
uma reza que lembrava os mortos
(L.C.Marinho)
—
Licenciado sob uma Licença Creative Commons 2.5 Brasil.
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Versão da HQ da campanha de José Serra